Viajar de carro de Salzburgo, Áustria, até Cesky Krumlov, República Checa (passagem por Hellbrunn e Salzkammergut) – Viagem Europa

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No dia seguinte à chegada e descoberta de Salzburg, cidade natal de Mozart, na Áustria, queríamos aproveitar o Cartão de Salzburg que tínhamos comprado para ainda ir ao Palácio de Hellbrunn. Fizemos, então, o Tour II de uma série de passeios de barco em Salzburg, pelo rio Salzach. O bilhete isolado custa 16 euros para um adulto (13 para quem ficar em Hellbrunn). O cartão de Salzburg custa só 24 euros, no Verão, durante 24 horas. Compensa bastante para quem o usar ao máximo.

O passeio de barco começou às 9.30h na plataforma Makart, junto ao centro de Salzburgo. A partir daí seguimos pelo rio numa agradável embarcação com tecto e paredes de fibra de vidro transparente. Cerca de vinte minutos mais tarde chegámos a Hellbrunn, onde nos esperava uma curta viagem de autocarro até ao palácio. A sua posição é 47º45′48.88”N 13º03′52.24”E, para quem quiser ir de carro.

O Palácio de Hellbrunn é uma villa Barroca, situada perto de Morzg, construída entre  1613 e 1619. Foram  necessários  apenas  três  anos  para  que  o  Príncipe-Arcebispo Markus Sittikus von Hohenems pudesse gozar desta magnífica obra do arquitecto italiano Santino Solari. Já que o objectivo era que fosse usada como residência de Verão (só durante o dia) não há quartos em Hellbrunn. O Príncipe ia sempre dormir em Salzburg.

Hellbrunn também é muito famoso pelos seus “jogos de águas“, que atraem muitos turistas nos meses de Verão. Estes “jogos” foram concebidos pelo próprio Markus Sittikus, um homem com um sentido de humor muito apurado, para pregar partidas aos seus convidados, molhando-os de forma engenhosa… Nos jardins pode-se ver um pequeno teatro musical (de 1750) com minúsculas marionetas que simulam variadas profissões e cujos movimentos acontecem devido à força da água a circular no mecanismo. Há, também, uma gruta e uma coroa que sobe e desce por acção da água, simbolizando a subida e queda do poder. Em todos estes “jogos” há sempre um lugar que não é molhado: aquele reservado ao Príncipe-Arcebispo.

Hellbrun fica num grande parque em que se podem descobrir um zoo, um teatro de pedra e um pequeno edifício conhecido como Monatschlossl (que hoje alberga a secção etnográfica do Museu Carolina Augusteum, de Salzburg. O palácio é muito interessante, especialmente os “jogos de água”. E sabe sempre bem ser molhado num dia quente. Mas cuidado com as máquinas fotográficas ou de vídeo.

Após termos estado a visitar Hellbrunn, onde espreitámos em cada recanto, regressámos, à 1.30h a Salzburg, utilizando os mesmos meios de transporte da ida, o autocarro e o barco. Dirigimo-nos à pousada da juventude de Salzburgo, recolhemos as malas e pusemo-las no carro que estava no parque de estacionamento perto da estação de comboios. A viagem agora era até uma pequena cidade medieval, já na República Checa, que tínhamos descoberto no guia Western Europe, da Lonely Planet.

Mas, até lá chegarmos, ainda tínhamos que percorrer uma vasta área de mais uma região considerada Património Mundial pela Unesco: a paisagem cultural de Hallstatt-Dachstein/Salzkammergut. Este último nome deriva da “Câmara Imperial do Sal”, a autoridade encarregada de gerir as preciosas minas de sal, durante o império de Habsburg. Poderá obter informações detalhadas sobre esta região no site oficial de Salzkammergut.

Seguimos, então, para Norte até apanharmos a auto-estrada A1 para o Leste, até à cidade de Mondsee, a escassos 30km de Salzburg. Mondsee fica junto à margem norte de um lago com o mesmo nome. É aqui que se encontra a catedral onde Maria e o Barão Von Trapp, do filme “Música no coração” (Sound of Music, no nome original), celebraram o seu casamento.

Ficámos em Mondsee pouco tempo. Visitámos a catedral e o centro (partimos mas ficámos com a impressão de que este é o local ideal para descansar numa longa viagem na Europa – dormir Mondsee). A partir daí continuámos a conduzir pelas estradas que contornam alguns lagos desta região da Áustria. Nós passámos pelo lago Mondsee (margem norte) e pelo Attersee (margem oeste) mas há outros muito perto, tais como o Wolfgangsee e o Traunsee. Os lagos são extremamente bonitos, bem como as vilas e cidades construídas junto a eles. Como era Verão viam-se imensas pessoas a tomar banho em praias algo sobrelotadas ou mesmo em lugares mais isolados.

A seguir a Attersee seguimos para Sudeste, sempre por estradas secundárias, em direcção a Linz. Passámos ao largo e entrámos na B126 até à fronteira. Nesta altura a República Checa ainda não fazia parte do espaço Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os países que assinaram o acordo. No entanto, atravessámos a linha que delimita os dois países mostrando apenas, por breves instantes, os passaportes aos guardas fronteiriços.

Continuámos a viagem de carro para norte, pela estrada 161 até Vissi Brod. Aí entrámos na 163 e, pouco tempo depois, pela 160. Esta última segue para norte sempre ao lado do rio Vlatva. Por aqui se começam a ver imensas famílias a fazer piqueniques e a carregar caiaques, muito populares junto aos rios da República Checa.

Cerca de 220km após termos deixado Salzburg chegámos a Cesky Krumlov, para mim, um dos muitos pontos altos desta viagem e pequena amostra do que é a magnífica República Checa. A entrada no país mostrou-nos, imediatamente, as diferenças culturais e económicas em relação aos (ricos) vizinhos Suíça e Áustria.

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Mas a República Checa (Ceska Republika em Checo e Czech Republic em Inglês) é igualmente rica em história e, cada vez mais, se afirma como uma futura potência a nível económico na União Europeia. Trata-se dum país somente com fronteiras terrestres na Europa Central, vizinho da Polónia, da Alemanha, da Áustria e da Eslováquia. É membro da NATO desde 1999 e da União Europeia desde 2004.

As Terras Checas emergiram nos fins do século IX, quando foram unificadas pelos Premyslidas (dinastial real). Este “Reino da Boémia” foi uma potência regional que viria a ser fragilizado por conflitos religiosos como as Guerras Hussitas (século XV) e a Guerra dos Trinta Anos (século XVII).

A derrota na Batalha de Mohacs levou a que as Terras Checas caíssem sob o poder da Casa de Habsburgo a partir de 1526 e se tornassem parte do Império Austro-Húngaro. Depois do colapso deste como resultado da derrota na Primeira Guerra Mundial, nasceu a independente República da Checoslováquia, em 1918. Mais tarde, em 1946, o Partido Comunista viria a ganhar força, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, após a libertação dos alemães de grande parte da Checoslováquia pelo Exército Vermelho da União Soviética.

Num golpe de estado em 1948 o país passou a ser governado pelos Comunistas. Já em 1968, uma grande dissatisfação com o regime levou a uma tentativa de reforma do regime Comunista, conhecida como Primavera de Praga. Como consequência as forças armadas do Pacto de Varsóvia invadiram o país e aí permaneceram até 1989, com o colapso do regime Comunista na Revolução de Veludo. Em 1993, a 1 de Janeiro, a Checoslováquia viria, pacificamente, a dissolver-se nos seus dois estados constituintes: República Checa e Eslováquia.

Hoje em dia, politicamente, a República Checa é uma democracia parlamentar com um presidente como chefe de estado e um primeiro-ministro como chefe de governo. O parlamento tem duas câmaras: a Câmara dos Deputados e o Senado. A sua política externa dos últimos tempos tem-se destacado pela defesa dos direitos humanos, ao apoiar dissidentes de países como Cuba, Moldávia e Myanmar (Burma).

A sua economia é uma das mais desenvolvidas dos países emergentes da Europa Central e de Leste. As indústrias mais importantes são a dos motores e peças automóveis, equipamentos eléctricos, metais, químicos, carvão, comida processada, vidro, bebidas e turismo. Está prevista a adesão ao EURO em 2010 mas a moeda é, ainda, a COROA CHECA (CZK).

A população da República Checa é de cerca de 10 milhões de pessoas (mais ou menos a mesma do que em Portugal, embora este tenha uma área um pouco superior). A maior parte dos habitantes é étnica e linguisticamente checa (95%). Outros grupos étnicos incluem germânicos, ciganos e polacos.

A maior comunidade religiosa é a Católica Romana (27% da população), seguida da Protestante (2,5%). Há, também, alguns milhares de Judeus (numa Sinagoga de Praga existe um memorial aos mais de 80.000 checoslovacos judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial). Na UE, este país é um dos que tem maior percentagem de pessoas que não acredita em qualquer Deus. Há, portanto, imensos agnósticos e ateus.

Esta nação montanhosa, devido à cadeia montanhosa dos Cárpatos, tem como figuras destacadas na História o compositor Antonin Dvorak e o escritor Franz Kafka.

Para mais informações pode consultar o site sobre Turismo República Checa.

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Na nossa viagem, já em Cesky Krumlov, era hora de jantar e ainda tínhamos que encontrar alojamento (dormir Cesky Krumlov) em mais um lugar considerado Património Mundial pela Unesco.

Como já disse antes, cada vez que ficávamos numa Pousada da Juventude recolhíamos folhetos sobre alojamento na cidade ou vila para onde nos dirigíamos. Por isso, fomos ver como era o Travellers’ hostel de Cesky, pertencente a uma rede de pousadas naquele país. Pareceu-nos simpático e as fotografias da brochura prometiam mas ficava por cima dum bar já muito movimentado àquela hora e do que nós precisávamos mesmo era de boas noites de sono para aguentar os longos dias a conduzir e as caminhadas.

Depressa achámos uma pensão com quartos gigantes, com banheiras gigantes e tudo, na praça principal. A Pensão chama-se Krumlovska fontana Pension e é muito fácil de descobrir. É cor de rosa, fica num canto da praça (junto à fonte) e tem um restaurante/café por baixo. É aqui que se estabelecem os contactos e se recolhem as chaves. Pagámos 50 euros por cada quarto duplo. Mais do dobro da pousada mas de certeza que conseguiríamos dormir. Se estiver a pensar viajar de verão, considere estudar um pouco os preços, a localização e os contactos de hotéis antes de partir. Pode sempre ligar um ou dois dias antes a reservar um quarto (hotel Cesky Krumlov).

Depois de carregarmos as malas até aos quartos (os carros não podem entrar até à praça) fomos estacionar num parque pago que fica junto às muralhas (GPS 48°48′51.18″N  14°18′47.28″E). Se este estiver cheio não se preocupe porque há outros no perímetro das muralhas. Durante toda a viagem, sempre que pudemos, estacionámos o carro num parque pago porque era mais seguro e nós preferimos pagar um pouco mais do que deixá-lo num sítio arriscado onde algum incidente nos poderia vir a estragar as férias. Nunca pagámos mais do que 10 euros de estacionamento, o que dá 2.5 euros a cada um, o que é barato.

Jantámos no restaurante da pensão, na esplanada, e aí tivemos uma surpresa muito boa: na República Checa éramos ricos! Bem… talvez não ricos propriamente mas, para quem vinha da Suíça e da Áustria, quase. Para não perdermos muito tempo com as refeições costumávamos comer em restaurantes poucas vezes. O suficiente para ter uma ideia da gastronomia do país onde estávamos. Na maioria das ocasiões comíamos sandes no carro, em viagem, ou em piqueniques improvisados à beira da estrada e em jardins. Para além disso saía mais barato comprar pão, fruta, queijo, saladas embaladas e uma ou outra gulodice nos extremamente bem organizados supermercados da Áustria e, especialmente, da Suíça.

Naquela praça, comemos uma bem servida e deliciosa dose e mais uma sobremesa por… 5 euros cada um. O custo de vida na República Checa permitia-nos comer bastante bem e barato.Tudo com um aspecto fenomenal. Depois de jantar demos uma volta pelas ruas da cidade medieval e fomo-nos deitar. Para o dia seguinte estava reservada toda a exploração de Cesky Krumlov e a viagem de carro até Praga, passando por Ceske Budejovice e pelo Castelo de Hluboka. Mas adianto já que quero voltar a este país e, especialmente, a Praga.

Se só agora descobriu o Foto Viajar, leia tudo sobre esta viagem na Europa (8.000 km), desde o início.

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3 comentários a este post:
  1. Lena

    Bem Seco, que inveja! Quando voltaste desta viagem de carro e me mostraste as fotos fiquei com tanta vontade de largar tudo e ir, simplesmente ir!
    Um dia, quando a minha situação for mais estável (talvez quando tiver a tua idade) espero poder fazer esta viagem e muitas mais!
    Não sei é se terei tanta paciência e vontade de as relatar tão bem como fazes aqui.
    Parabéns pelo trabalho e pelo esforço (que admiro muito pois, já sabes, sou a pessoa mais preguiçosa que conheces, a “shvinstill”)!
    Beijinhos
    Lena Grosso

  2. Luís

    Lena! És a minha primeira comentadora. Muito obrigado por teres lido a minha descrição da viagem pela Europa até aqui. Ainda falta mais de metade do caminho mas os posts vêm aí.
    Quanto à necessidade de ter algum dinheiro para se viajar… É um pouco verdade mas, se for mesmo uma das nossas prioridades, é uma questão de fazer escolhas. Se se poupar uns euros no dia-a-dia, pelo menos, uma vez por ano dá para fazer uma viagem. E não há nada melhor do que conhecer outras culturas e outras pessoas para nos vermos a nós e ao mundo duma outra perspectiva.
    Acho que a inércia é a pior inimiga das pessoas. Só custa a vencer uma vez. Depois é mais fácil.
    Beijos

  3. Marta

    Parabéns pela tua dedicação e por esta descrição maravilhosa da tua viagem.

    Com a forma entusiasta com que descreves tudo é impossivel não sentir de vontade de nos aventurar-mos e irmos também…

    Amei

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