Viajar de carro de Cesky Krumlov até Praga, República Checa – Viagem Europa

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Tínhamos viajado de carro até à República Checa no dia anterior vindos de Salzburgo, na Áustria (passando por Hellbrunn e pela região de Salzkammergut). O percurso da véspera tinha terminado em Cesky Krumlov.

No outro dia de manhã levantámo-nos e fomos levar as malas ao carro, pois a partida de Cesky Krumlov seria lá para meio da tarde. O pequeno-almoço foram umas deliciosas panquecas com um capuccino que nos deixaram, mais uma vez, com a sensação de que na República Checa tudo era barato e com um cuidado extremo na apresentação. Os olhos também comem.

Situada na região da Boémia do Sul, Cesky Krumlov é a capital da antiga região de Rosenberg, em tempos pertencente à nobreza mais rica e influente do país. A sua construção, bem como do castelo, começou no século XIII. Segundo a lenda, o nome Krumlov deriva do alemão Krumme Que, que se pode traduzir como “curva num prado”, referindo-se ao desenho da parte mais antiga da cidade, numa curva em forma de ferradura do rio Vlatva (Cesky quer, simplesmente, dizer “Checo”). A localização da povoação deve-se ao facto do rio ter sido, na altura, extremamente importante nas rotas comerciais da Boémia.

A cidade é constituída por casas de arquitectura medieval gótica, renascentista e barroca. Destacam-se o castelo e o seu teatro, completamente conservado sem qualquer tipo de reconstrução. Por estes motivos, Cesky Krumlov foi considerada Património da Humanidade, pela Unesco, em 1992. Hoje em dia moram, nesta povoação, 14.000 pessoas, numa área de 22km². Por aqui fica a cervejeira Pivovar Eggenberg e se filmou o filme Hostel.

Cesky Krumlov é um importante centro cultural onde se organizam alguns festivais e outros eventos ao longo do ano. O mais conhecido é o Festival da Rosa de Cinco Pétalas, no fim de semana do solstício de Verão, em Junho. Esta celebração recria o ambiente típico de um cidade medieval. Para isso, as pessoas usam roupas da época e há espectáculos de justas, esgrima, dança e teatro popular. O festival acaba com um fogo de artifício por cima do castelo.

Cesky Krumlov fica perto do Parque Nacional de Sumava, o maior do país. Esta área é ideal para quem goste de andar a pé, de bicicleta ou de canoa. Também nas imediações da cidade está o lago Lipno, no qual podemos fazer passeios de barco até pequenas vilas nas margens e até à barragem hidroeléctrica.

Para informações adicionais acerca da cidade deverá consultar o site oficial de Cesky Krumlov, em inglês. Leia também sobre o seu castelo, cujas fotos poderá ver mais abaixo.

Percorremos as ruas ladeadas de casas com telhados muito íngremes (por causa da neve que cai no Inverno) que não se vêem devido às fachadas decorativas, as margens do rio Vlatva e a Praça Principal (onde havia um pequeno mercado). Depois subimos ao castelo e andámos lá por dentro.

O Castelo de Cesky Krumlov é surpreendentemente grande para uma cidade daquela dimensão. Para entrar há que atravessar uma grande ponte levadiça por cima dum profundo fosso escavado na rocha.

Lá dentro podemos ver um grande jardim, a Igreja de S. Vito (edifício gótico, que data do século XV, com frescos do mesmo período) e o Teatro Barroco (acabado em 1766). Este encontra-se completo, com a sua maquinaria de palco, cenário e adereços originais. Devido à sua antiguidade, apenas se realizam três espectáculos por ano (dois abertos ao público) de uma ópera barroca.

É uma cidade pequena mas com uma mística muito especial. E deve ganhar uma atmosfera ainda mais encantadora no Inverno, a julgar por estas fotografias.

Por volta da hora de almoço partimos para Norte e, a pouco mais de vinte quilómetros, estacionámos em Ceske Budejovice para almoçar  enormes saladas (uma dava para duas pessoas) numa esplanada debaixo das arcadas que circundam a gigantesca praça no centro. Ceske Budejovice é a maior cidade da Boémia do Sul e a sua capital política e comercial.

Retomámos o caminho em direcção a Noroeste pela estrada 20 e, depois, a 105. Com apenas dez quilómetros percorridos fizemos nova paragem.

Desta vez para visitar o Castelo de Hluboka, construído no século XIII e, mais tarde, no século XVI, remodelado à imagem do Castelo de Windsor. Ficou, assim, transformado num Chateau Romântico Neo-Gótico. Em seu redor podemos  admirar um parque inglês. Este é o único castelo do país (para além do de Praga) que pode ser visitado no Inverno.

Já chegámos ao Castelo de Hluboka quase à hora do fecho e, por essa razão, só pudemos fazer uma das visitas ao seu interior. Escolhemos ver os quartos em vez das cozinhas. Lá dentro, como em muitos museus e palácios, não se podiam tirar fotografias.

Assim que acabámos a visita fizemo-nos, de novo, à viagem. O objectivo era chegar a Praga o mais cedo possível pois tínhamos ouvido dizer que era bem difícil, nesta altura do ano, encontrar um hotel, uma pensão, qualquer sítio onde se pudesse dormir. Seguimos sempre por estradas nacionais ou secundárias na República Checa. No nosso percurso não havia hipótese de escolher auto-estradas mas fique, desde já, a saber que para circular nelas é preciso comprar um autocolante (à venda  nas fronteiras, em bombas de gasolina e estações de Correios). Por 7 dias paga-se cerca de 7 EUROS, o que até nem é caro. Quem não o comprar e for apanhado paga uma multa no próprio local.

O caminho não tem nada que enganar: é sempre para Norte até chegar a Praga (Praha, em Checo, e Prague, em Inglês). Assim que entrámos no centro da cidade, já à noite, conseguimos circular nuns 3 ou 4 sentidos proibidos e em vias só para os eléctricos! É preciso ter muito cuidado porque, depois de escurecer, tudo fica mais confuso. Parámos ao pé da Igreja de S. Nicolau e tentámos encontrar um posto de turismo que tínhamos visto no guia da Lonely Planet. Ficava na Praça da Cidade Velha (ou Antiga) na posição GPS 50º05′12.08”N  14º25′13.61”E. Estava já fechado àquela hora mas havia um  outro, meio improvisado, num corredor ali perto. Disseram-nos que seria impossível arranjar sítio para dormir em Praga naquela noite (29 de Julho) e na seguinte. Depois de muito procurarem (sempre muitíssimo simpáticos) nuns folhetos e catálogos e fazerem uns quantos telefonemas para hotéis e pensões nos arredores, lá nos indicaram a Pensão da Vera, a pouco menos de 10 quilómetros do centro (GPS 50º04′28.77”N  14º19′10.20”E). Custou um pouco a achar mas chegámos lá. A Fräulein Vera é alemã e tinha feito da sua casa uma pensão com quinze quartos. Pagámos cerca de 50 EUROS por quarto duplo, com pequeno almoço. Esta pensão fica bastante longe do centro, especialmente para quem não tem carro. Quando viajar para a capital checa tente reservar hotel antes de lá chegar – hotel Praga. Há muito por onde escolher se o fizer com tempo.

No dia seguinte iríamos viajar até Praga de carro para visitar esta cidade. Uma das que mais belas que vi e que mais me marcou até hoje.

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