Praga, República Checa – Guia Praga / Roteiro Praga – Viajar de carro na Europa / viagem Europa

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Vindos de Cesky Krumlov, e passando por Ceske Budejovice e pelo Castelo de Hluboka, tínhamos chegado no dia anterior a Praga (Praha, em Checo; Prague, em Inglês). A República Checa estava-se a revelar um destino fantástico. Do que tínhamos visto até ao momento ficámos maravilhados, essencialmente, pela arquitectura. E, claro, por tudo ser barato e levar os nossos EUROS bem além do que tinha acontecido em Andorra, França, Suíça e Áustria.

Tínhamos ficado a dormir na Pensão da Vera (hotel Praga), nos arredores de Praga. Logo pela manhã, partimos para o centro da cidade e encontrámos estacionamento para o carro num parque subterrâneo por baixo do Rudolfinum, na Praça Jan Palach, junto à Manesuv Most, uma das pontes que atravessa o rio Vltava. (GPS 50º05’24.29N 14º24’53.99E)

O Rudolfinum, um dos mais importantes edifícios neo-renascentistas de Praga, é um auditório musical que tem como orquestra permanente a Orquestra Filarmónica da República Checa. Esta casa de espectáculos é, também, um dos palcos principais do Festival Internacional de Música de Praga (Festival da Primavera), organizado todos os anos entre Maio e Junho. Dentro do edifício  podemos encontrar a sala de Dvorak, famosa pela sua acústica (no exterior, na praça, há uma estátua deste grande compositor). Existe, ainda, uma importante galeria de arte que exibe, acima de tudo, arte contemporânea.

Saímos, então, para a Praça Jan Palach e começámos a visitar Praga mais a fundo. Mas antes de nos dedicarmos a descobrir o que ver em Praga, convém conhecer um pouco mais a sua história.

História de Praga, República Checa

Praga (capital da República Checa e centro industrial, comercial e cultural do país) é conhecida como “cidade das cem cúpulas”, “cidade dourada” ou “mãe de todas as cidades”. A palavra prah, em Checo contemporâneo, significa limiar ou limite, o que pode dar uma pista quanto às origens do nome: cidade no limite, na velha Europa, entre os os mundos Eslavo e Germânico. Também há quem diga, mais romanticamente e deixando-se fascinar pelo ambiente mágico de Praga, que esta será a porta de acesso para outros mundos ou outras dimensões.

Praga é, na verdade, um dos mais bonitos e antigos centros urbanos da Europa, sendo famosa pelo seu enorme e bem conservado património arquitectónico (sofreu poucos danos durante as duas Guerras Mundiais) e pela sua rica vida cultural. Fica na Boémia Central, sobre colinas, nas duas margens do rio Vltava, pouco antes da sua confluência com o rio Elba.

A cidade de Praga foi, durante milhares de anos, passagem obrigatória nas rotas comerciais que atravessavam a Europa de norte a sul. No entanto, os registos documentais da fundação de Praga dizem respeito ao século IX. Devido a uma grande expansão económica, em 1170, a povoação atravessou o rio, com a construção da primeira ponte de pedra, ampliando o seu perímetro com a Stare Mesto (Cidade Antiga). Praga viria a crescer mais ainda em 1257, com o início, junto às muralhas do Castelo de Hradcany, da Mala Strana (Cidade Pequena), bairro povoado exclusivamente pelos colonos e comerciantes alemães.

Com um passado conturbado em termos administrativos (esteve sob o domínio de Germânicos, Austro-Húngaros, Saxões e Suecos) Praga tornou-se, em 1918, a capital da nova e independente república da Checoslováquia. Cairia nas mãos dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial e, depois disso, nas da União Soviética. Assistiria, em 1968, à Primavera de Praga que levaria à invasão das tropas do Pacto de Varsóvia. Já em 1992, com a separação de Checos e Eslovacos, deixaria de ser a capital da Checoslováquia e passaria a ser a capital da República Checa.

Hoje em dia, Praga tem cerca de 1.200.000 habitantes (1.900.000 na área metropolitana) e representa mais do dobro do PIB do país. As suas actividades económicas mais importantes são engenharia pesada e de precisão, alimentícia, construção civil, maquinaria, material ferroviário, produtos químicos e farmacêuticos, artes gráficas e editoriais. A indústria cinematográfica é  também significativa, com muitos filmes a serem produzidos nos estúdios Barrandov. Os filmes Missão Impossível, Blade II e xXx usaram as ruas de Praga como pano de fundo. Ainda no campo do entretenimento, a noite de Praga é cada vez mais famosa nos tempos que correm.

Mas Praga é, acima de tudo, um local de intensa vida cultural, possuindo um grande número de universidades, academias e escolas independentes. Para além disso, são muitos os museus e galerias de arte e não faltam eventos culturais ao longo de todo o ano, tais como alguns festivais de música internacionais. Nomes como o compositor Antonin Dvorak ou o escritor Franz Kafka são, automaticamente, associados à cidade.

Por tudo isto não faltam razões para visitar Praga. Em 1992, a Unesco reconheceu-o, considerando o centro histórico de Praga como Património Mundial, já que possui uma das mais variadas colecções de arquitectura, desde Art nouveau a   Barroca, Renascentista,  Cubista,  Gótica,  Neo-classicista  e Ultra-moderna. Vamos, então, ver o que há para visitar em Praga.

O que ver em Praga – Monumentos Praga, República Checa

  • Stare Mesto (Cidade Velha) e a sua praça (Staromestske Namesti)
  • Nove Mesto (Cidade Nova) e a histórica Praça de Venceslau
  • Mala Strana (Cidade Pequena)
  • Castelo de Praga e a sua Catedral de S. Vito
  • Orloj (Relógio Astronómico)
  • Ponte de Carlos
  • Klementinum e a sua Torre Astronómica
  • Josefov (antigo bairro judeu) com o Antigo Cemitério Judeu e a Sinagoga gótica Velha-Nova
  • Castelo Vysehrad
  • Vinohrady, belíssima área residencial com uma arquitectura variada
  • (Bairro) Andel, provavelmente a zona mais movimentada da cidade, com o centro comercial Nový Smíchov e outros edifícios modernos
  • Museu Nacional
  • Museu Franz Kafka
  • Petrinska Rozhledna, uma torre de observação na colina Petrin que é parecida com a Torre Eiffel e que proporciona aos visitantes uma excepcional vista sobre a cidade
  • Campa de Franz Kafka no Novo Cemitério Judeu, em Olsany
  • Metrónomo gigante e funcional numa colina (construído em 1991, para ocupar o lugar onde estava um enorme monumento, destruído em 1962, ao antigo líder soviético Joseph Stalin)
  • Parede Lennon, em honra ao cantor/compositor, cheia de graffiti que  simboliza ideais dos jovens tais como amor e paz
  • e a arquitectura em geral (para mim, tudo o que há para ver em Praga é um monumento)

Há muito mais para saber para fazer uma viagem a Praga. Para isso pode consultar os sites Turismo de Praga e o Portal de Turismo da República Checa.

Guia Praga / Roteiro Praga, República Checa

Partindo da Praça Jan Palach, caminhámos em direcção à Praça da Cidade Velha e demorámo-nos por lá. Esperámos a chegada da hora certa no Orloj. Este Relógio Astronómico representa toda a perícia científica e técnica da época gótica da Boémia. O relógio bate as horas entre as 9 e as 21. Dos lados movem-se as figuras do Esqueleto, Turco, Avarento e Vaidoso. Depois do desfile dos apóstolos ouve-se o canto do Galo e o relógio põe-se a bater.

O relógio astronómico indica quatro tipos de tempo.

  1. Tempo da Europa Central (tempo antigo alemão) – indicado por números romanos na orla da esfera, apontado pelo ponteiro solar
  2. Antigo tempo boémio – o novo dia começa com o pôr-do-sol (indicado pelos números góticos dourados situados no anel exterior da esfera)
  3. Tempo babilónico (variável) – um dia demora desde a aurora até ao pôr-do-sol, porque as horas do Verão demoram mais do que as horas do Inverno (é o único relógio do mundo capaz de medir esse tempo)
  4. Tempo astral – indicado pelos números romanos (na parte inferior da fachada, o mostrador do calendário indica o dia, a sua posição na semana, o mês e o ano)

Para melhor perceber esta descrição veja este site com uma simulação do funcionamento do Orloj de Praga.

Entrámos na Igreja de Nossa Senhora de Tyn (gótica por fora/barroca por dentro, construída no século XIV), na Igreja de S. Nicolau e na Casa Municipal (Obecni dum). Esta última é uma casa de espectáculos. Aqui ficam algumas fotografias do interior e do exterior deste edifício de Praga.

Casa Municipal (Obecni dum) – Praga, República Checa

Tentámos ir ao Bairro Judeu visitar o Cemitério e as Sinagogas mas, já que era Sábado (Shabbat – dia sagrado Judaico), não tivemos oportunidade de entrar. Demos passeio pelas ruas, voltámos à Praça da Cidade Velha e seguimos em direcção ao rio Vltava.

Rio Vltava – Praga, República Checa

Então, encontrámos o Klementinum, o maior complexo de edifícios da Cidade Velha de Praga. Fundado em 1232, foi local de trabalho dos maiores astrómonos, cientistas, músicos e filósofos da Europa. Há três formas de explorar o Klementinum: visita guiada, concerto de música clássica e um pacote que inclui os dois. Nós fizemos a interessante visita guiada (em Inglês) onde pudemos ver:

  • a bonita Capela dos Espelhos, construída em 1724, e os seus frescos (um dos dois orgãos do século XVIII era tocado por Wolfgang Amadeus Mozart)

  • a Sala Barroca, uma das que constituem a actual Biblioteca Nacional da República Checa (20.000 livros)

  • e a Torre Astronómica de onde, após subirmos 172 degraus, se tem uma maravilhosa vista de 360º sobre Praga (a subida é inclinada e, por isso, não apropriada para pessoas mais velhas ou com problemas de mobilidade)

As visitas guiadas são feitas entre as 10h e as 17h (com pequenas variações consoante a época do ano). De segunda a quinta a todas as horas; de sexta a domingo todas as meias-horas. As visitas duram 50 minutos e custam 220 CZK (8 EUROS) para adultos e 140 CZK (5 EUROS) para crianças com mais de 6 anos. Os concertos de música clássica custam 600 CZK (22 EUROS). Podem-se comprar bilhetes para o Klementinum online.

Klementinum - Praga, República Checa


Continuando a visitar Praga, seguimos pela margem do rio e, na Ponte de Carlos (Karlov Most), vimos com atenção todas as bancas que vendem verdadeiras obras de arte aos turistas (todas exibem o documento emitido pela Câmara Municipal autorizando as vendas). Ao longo das minhas viagens nunca vi recordações, recuerdos, souvenirs com tão bom gosto como os que há para comprar em Praga. Normalmente são coisas feias, clichets da cidade, o mais baratas possível de fazer e vendidas o mais caro possível. Não em Praga. Os artistas que circulam nesta zona (pintores, músicos, mimos) fundaram, inclusivamente, a Associação dos Artistas da Ponte de Carlos.

Diz-se que a Karlov Most é uma das pontes mais bonitas do mundo. Eu acredito. Tem quase 10 metros de largura e 516 metros de comprimento, sendo apoiada por 16 arcos. Existem torres fortificadas nos dois extremos. No início do século XVIII foi decorada por 30 estátuas (ou grupos de estátuas) do estilo barroco, que representam santos, personagens históricas ou bíblicas.

Ficámos, a tarde inteira, a atravessar as pontes de um lado para o outro e a deliciarmo-nos com as ruas de Praga. Já em Mala Strana visitámos a outra Igreja de S. Nicolau que se encontra na cidade (a primeira, já referida acima, está na praça da Stare Mesto).

Ruas de Praga, República Checa

Com a chegada do lusco-fusco veio uma chuvita de Verão quando estávamos a jantar. Depois fomos assistir a um concerto de um orquestra de câmara com acompanhamento de um coro. Tocaram Mozart e Bach. Não costumo ver concertos de música clássica mas pareceu-me apropriado fazê-lo em Praga, tal como já tínhamos feito em Salzburgo.

Após o fim do concerto, regressámos aos quartos para uma boa noite de sono (hotel Praga). No dia seguinte, para além de irmos ao castelo de Praga e voltarmos ao Bairro Judeu, tínhamos cerca de 400 quilómetros para percorrer até Viena, capital da Áustria.

Se só agora descobriu o Foto Viajar, leia tudo sobre esta viagem na Europa (8.000 km) desde o início.

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