Viajar de carro, riviera da Croácia-Veneza (Itália) – Viagem Europa

No dia anterior tínhamos seguido viagem pela península Peljesac para chegarmos a Dubrovnik, Croácia. Passámos lá grande parte do dia e fizemos o caminho de volta até à região de Makarska, na riviera croata. Foi já tarde e após muitas tentativas  que, a muito custo, encontrámos um hotel onde pernoitar, à beira da estrada (hotel Croácia). Mas só no dia seguinte descobrimos o mar Adriático mesmo nas traseiras.

Partimos pela estrada junto à costa com a intenção de iniciar, naquele dia, a viagem de regresso a casa. A ideia era ir seguindo para norte pela Croácia, descontraidamente, durante uns cem quilómetros e depois entrar na auto-estrada para poupar tempo. Mas os planos tiveram que ser alterados.

A dada altura, perto de Sibenik e cento e poucos quilómetros depois da partida, começou a haver muito trânsito na direção em que seguíamos. Começámos a conduzir cada vez mais lentamente até que parávamos durante uns momentos. Ninguém sabia o que estava a acontecer. Nos cruzamentos íamos sendo desviados pela polícia. A certa altura demos por nós rodeados por este cenário.

E não precisávamos de saber croata para perceber o que dizia esta placa.

De vez em quando passavam por nós, em contramão, carros da polícia a alta velocidade. Só me lembrava de uma guerra civil ou que os sérvios quisessem acabar o que não tinham conseguido entre 1991 e 1995. Este período ficou conhecido entre os croatas por Domovinski rat (Guerra pela pátria). Na Sérvia chamaram-lhe rat u Hrvatskoj (Guerra na Croácia).

O que se passou foi que, com a desintegração da República Federal da Jugoslávia, acelerada com a derrota eleitoral do Partido Comunista, a República da Croácia declarou a sua independência em 1991. Como resultado, os sérvios residentes na Croácia autoproclamaram uma parte deste território como a autónoma República Sérvia de Krajina (RSK). Os conflitos entre a polícia croata e os sérvios da Croácia depressa se tornaram numa guerra quando o Exército Popular da Jugoslávia começou a ajudar os sérvios. A certa altura o território ocupado pela RSK era considerável.

O conflito durou até 1995, quando as forças croatas recuperaram o controlo da maioria das áreas ocupadas pelos seus inimigos. Durante os anos da guerra estima-se que o número de civis refugiados chegasse ao meio milhão. Houve, inclusivamente, de ambos os lados, tentativas de limpeza étnica e inúmeros crimes de guerra pelos quais vários oficiais viriam a ser julgados.

Depois do fim da disputa do território croata ficaram as minas. Quase 1,5 milhões de minas enterradas em campos, em redor de quintas e ao longo de estradas.

Catorze das vinte e uma regiões do país confirmaram ter alguns campos minados. Estima-se que estejam afctados 6.000 quilómetros quadrados dos 56.538 da Croácia. Para fazer a desminagem foi criado o Centro de Acção de Minas da Croácia. Mas, apesar de tudo, este perigo está bem longe das zonas de turismo.

Acontece que as longas filas que nos atrasavam não se deviam a nenhum problema sério. Como eu já referi no artigo sobre o percurso Viena-Croácia, uma tempestade começou a “perseguir-nos” desde essa altura. Agora tinha chegado, outra vez, a sério. Embora não chovesse, toda a confusão em que nos vimos metidos se deveu a ventos de cerca de 100 km/h. Por este motivo todo o trânsito estava a ser desviado das altas autoestradas do país.

Seguimos a passo de caracol durante cerca de duas horas e meia. Depois encontrámos uma estrada junto à costa, pela qual guiámos 200 quilómetros desde perto de Zadar. O caminho é muito agradável, mais uma vez, com o Adriático dum lado e as terras rochosas do outro.

Demorámos mais de oito horas para fazer uns míseros 450 quilómetros até chegarmos a Rijeka, às 18h. Ainda procurámos um quarto para dormir naquela noite mas os dois ou três sítios que encontrámos eram demasiado caros para o (mau) aspeto que tinham. A cidade era feia e suja, típica zona de porto marítimo. Na avenida pedonal junto ao mar quase tudo estava fechado. O único lugar aberto era um conhecido restaurante de fast food, onde não tivemos outro remédio senão comer.

Decidimos ir dormir a Veneza, que “só” ficava a 240 quilómetros (encontre aqui centenas de hotéis em Veneza – hotel Veneza). Seguimos para norte 25 quilómetros até à fronteira com a Eslovénia, onde trocámos as Kunas que nos restaram por Euros. Atravessámos o país (30 quilómetros) e entrámos na Itália. Cruzar as duas fronteiras foi bastante rápido e sem grandes burocracias.

A partir daqui fizemos o restante caminho quase sempre pela auto-estrada A4 até  às portas de Veneza. Logo à saída desta via para Mestre (a menos de 10 quilómetros de Veneza) vimos um  motel à beira da estrada (Airmotel) (GPS 45º30’11.58”N 12º14’07.89”E). Segundo me lembro, pagámos cerca de 50 Euros por cada quarto duplo, o que até achei barato.

No dia seguinte iríamos conhecer a tão famosa Veneza.

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