Roteiro Interrail Europa, viagem de comboio – Praga, República Checa

A 10 de Agosto, estávamos à espera de seguir viagem de interrail até Praga na estação de Berlim Haupbahnhof (leia a etapa 4 do Roteiro Interrail até Berlim) quando, cerca de 10 minutos antes da partida, ouvimos um aviso em alemão.

Todas as pessoas que estavam à espera connosco mudaram de lugar. Não acreditámos que seria possível que o aviso da estação para mudança de plataforma de embarque num comboio/trem internacional fosse feito apenas em alemão… mas foi o que aconteceu. Felizmente, alguém nos confirmou isso e despachámo-nos a mudar para a nova plataforma.

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O comboio/trem para Praga estava mesmo cheio. Não como aqueles que se vêem nos vídeos da Índia, mas no sentido em que todos estavam de pé no corredor, fora dos compartimentos. A maioria dos passageiros era jovem como nós, ninguém se mexeu durante 5/10 minutos e isso é bastante quando estamos a sentir a respiração de toda a gente na nossa cara..

O que se passou na Alemanha é que não somos obrigados a reservar lugar como em França, por exemplo, e Praga é um lugar muito atrativo para os jovens. Mas toda a gente ficou calma, excepto um passageiro alemão, com quarenta e tal anos, que começou a empurrar todos violentamente e a gritar “Não tenho reserva, não tenho reserva!”, como se estivéssemos a deixar o planeta depois do apocalipse. Até que entrou no compartimento… Finalmente, lá saímos nós também daquela carruagem e entrámos na seguinte, onde havia mais espaço, e encontrámos um lugar.

Eram cerca das 5 da tarde quando saímos do comboio/trem em Praga. Trocámos alguns Euros por Coroas Checas na primeira casas de câmbios que encontrámos. Depois, havíamos de passar por outras casas cujas taxas de câmbios eram melhores. Por isso, se forem à estação de comboios/trens de Praga, sejam pacientes e comparem bem antes de comprar Coroas.

Fora da estação havia um parque mas ficámos com má impressão dele porque estava cheio de bêbados e toxicodependentes deitados nos bancos.

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Interrail Europa Praga – Estação comboios/ trens de Praga, República Checa

Ficámos no Hotel Vitkov. Este hotel foi sugerido por Tomeu Vizoso, um rapaz simpático e um grande hacker que esteve envolvido nalguns projetos como Sugar e pyGI.

Tomeu foi suficientemente simpático para deixar um comentário no meu artigo do blog onde eu anunciava que iria fazer um Interrail pela Europa. Convidou-nos para beber um copo e eu pedi-lhe conselhos sobre hotéis em Praga.

O Hotel Vitkov é de 3 estrelas. Fica um pouco longe do centro, a 20 minutos de elétrico, mas foi agradável e muito barato: um quarto duplo por 31€/noite, com pequeno-almoço incluído. Chegar ao hotel foi um bocado uma aventura porque, apesar de sabermos o número do elétrico, a máquina dos bilhetes tinha vários tipos de bilhetes. E a descrição em inglês era muito vaga e com letras minúsculas. Já que só aceitava moedas, fui a um café para trocar as notas. Já no elétrico, também tive que pedir a alguém que nos avisasse quando passássemos pelo hotel. Todos foram muito simpáticos e falavam bom inglês.

“Ah, isso é porque esta é a pior rua de Praga.”

Quando finalmente chegámos ao hotel, combinámos com o Tomeu jantar lá por perto. Saímos seguindo as indicações do Google Maps e esta foi a segunda aventura. Já era de noite, a rua estava escura e não se via vivalma à exceção dum grupo de bêbados a descer a rua e dum velho em tronco nu a gritar-nos qualquer coisa do outro lado da rua enquanto batia palmas. Sentimo-nos como os protagonistas do filme EuroTrip quando chegaram a Bratislava e apressámo-nos a encontrar o restaurante já a pensar que o Tomeu era louco.

Chegámos um bocado cedo ao Restaurante Merenda. Por isso, sentámo-nos e esperámos pelo Tomeu. O empregado trouxe-nos o menu (que estava traduzido para inglês) e perguntou-nos o que queríamos, em checo. Eu respondi, em inglês, que estávamos à espera dum amigo que chegaria em breve. Ele não percebeu e simplesmente perguntou: “Duas cervejas?”. “Ainda não, estamos à espera dum amigo…”, e também apontei para o meu relógio e para a terceira cadeira vazia. “Hummm… uma cerveja? Duas cervejas?”, respondeu ele, já mais zangado. “Duas cervejas, se faz favor!”, acabei por responder.

Quando o Tomeu chegou, explicou-nos (e voltaríamos a sentir isso outra vez, mais tarde), que a dinâmica de alguém que nos serve na República Checa é um pouco diferente. Ele disse que “é como se os empregados fossem os professores e nós fossemos os alunos, eles são um pouco autoritários e nós temos que os respeitar”. É isso mesmo. A namorada do Tomeu juntou-se a nós mais tarde e tivemos um simpático jantar em que falámos em português (eles viveram em Portugal durante alguns anos). Ah, e o meu goulash e as cervejas estavam mesmo bons!

Depois de jantar, fomos tomar café a outro lugar e eu perguntei ao Tomeu acerca da tal rua assustadora. Ele disse qualquer coisa engraçada como “Ah, isso é porque essa é a pior rua de Praga”. Ok, isso explicava tudo, muito obrigado! “É tão insegura como parece?”, perguntei eu. Ele respondeu que não e que não conhecia ninguém que tivesse sido roubado ou coisa parecida.

Mas quando pediu à namorada confirmação do que tinha dito ela afirmou o contrário: “Já ouvi falar de pessoas que lá foram roubadas, sim.”. Depois de nos termos despedido, com o meu “sentido de aranha” em alerta máximo, regressámos ao hotel.

A Praga dos postais

No dia seguinte, fomos ao centro da cidade de Praga para outro tour com a New Europe (saiba mais na etapa do Roteiro Interrail, Viagem de comboio na Alemanha).

Desta vez era um guia escocês que nos disse simpaticamente que faria o seu melhor para se fazer entender. Mais tarde, na visita a Praga, referiu que a cidade era bastante segura e que os crimes eram essencialmente de pouca gravidade. Por outro lado, também disse que tinha o maior número de mortes em passadeiras e eu sou bem capaz de imaginar isso porque as pessoas guiavam como loucos. E eu venho de Portugal, sei do que estou a falar.

Foi um passeio muito bom pelo centro de Praga, onde o guia explicou alguns dos factos mais interessantes da cidade, entre os quais as estátuas de kafka, a Sinagoga Velha Nova ou o Relógio Astronómico. Acabámos a visita do centro de Praga perto da Karlův most (Ponte Carlos). Esta sim, é a Praga que eu imaginei.

A parte mais impressionante do tour foi quando o guia falou sobre os desenhos de crianças no Museu Judaico de Praga. Estes foram feitos por crianças judias presas em campos de concentração Nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Não entrámos no museu porque não nos apetecia esperar na longa fila mas, segundo o guia, os desenhos mostram praticamente o mesmo que os das crianças de hoje em dia: árvores, casas, famílias. Não mostram destruição ou caos, como seria de esperar. Espero voltar ali um dia e visitar o museu.

Depois da visita guiada em Praga, eu e a Helena atravessámos a Karlův most, comprámos umas lembranças, visitámos mais uns lugares e passámos pela estação de comboios/trens para pedir informações sobre bilhetes para Munique. Depois de cerca de 30 minutos de espera na fila, perguntámos à funcionária pelos horários. Ela perguntou, por sua vez, “Quantos bilhetes?”. “Não, eu tenho um bilhete de Interrail, só preciso de saber os horários.”. Ela fez cara feia, apontou para a esquerda e disse “Informações!”. “… mas não me pode simplesmente dizer a hora dos comboios…”. “Informações!”. “Mas eu…”. “Informações!”. Depois de confirmar, com o funcionário das Informações(!) certo, que teríamos comboio/trem para Munique, fomos para o hotel.

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Interrail Europa Praga – Arquitetura da cidade de Praga

O jantar foi num restaurante perto do hotel. Foi curioso que a sua decoração e tudo o resto se parecessem bastante com um restaurante médio em Portugal, 10 anos antes.  Esta foi a segunda vez que vivemos a “simpatia de professor” do empregado quando eu lhe acenei no momento em que ele passava (querendo dizer, por favor venha assim que puder) e ele apontou com a cabeça para as mãos, cheias de pratos, fazendo uma expressão que dizia algo como “turistas estúpidos, não vêem que ando a trabalhar”. Se depois disto a comida tinha cuspo ou não, não sei, mas estava mesmo muito boa outra vez.

Sobre Praga concluimos que é um lugar muito agradável que, seguramente, merece uma segunda visita, mas não ficámos tão impressionados como esperávamos. Talvez as nossas expetativas fossem demasiado altas ou não estivéssemos propriamente à procura de “festa” como todos os demais pareciam andar a fazer. Era, de facto, um grande lugar para “beber copos”. Quando estávamos na estação de comboios/trens para deixar Praga, ouvimos um grupo de rapazes espanhóis falar acerca de como tinha sido baratos a bebida e a diversão durante toda a noite.

A 12 de Agosto, cerca das 9 da manhã, estávamos a entrar num comboio/trem para a nossa segunda cidade alemã do interrail — Munique.

[Artigo traduzido e adaptado do original em inglês Interrail (Part 5) – Czech Republic.]

O autor deste artigo é o meu amigo Joaquim Rocha, um programador apaixonado de software livre. Habituou-se a viajar desde que começou a aventura de trabalhar em Espanha, depois na Suíça e Alemanha. Agora, mal pode esperar pela próxima viagem ou, até quem sabe, pelo próximo país para viver.

Todos os artigos do Roteiro Interrail na Europa

  1. Interrail França – Paris
  2. Interrail Bélgica – Bruxelas, Gens e Bruges
  3. Interrail Holanda – Amesterdão
  4. Interrail Alemanha – Berlim
  5. Interrail República Checa – Praga
  6. Interrail Alemanha – Munique
  7. Interrail França – O fim

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