Roteiro de viagem à Irlanda, visitar Irlanda

A Irlanda é uma ilha maravilhosa com séculos de história que nos fascina. A sua cultura milenar remonta igualmente aos tempos pré-históricos e a cultura celta mostra bem a sua presença quando nos aventuramos numa road trip. Sem procurarmos, vamos encontrando e guardando na memória a música tradicional, a herança literária dos seus escritores,… a cerveja.

Se sempre se sentiu fascinado pela Irlanda, não espere mais para ir até lá. Viajar no verão é mais agradável. Mas terá de lidar com muito mais trânsito e demoras a conduzir pelas estreitas estradas (especialmente no oeste e zonas rurais). O inverno traz a chuva e os dias mais curtos. Também traz o misticismo do tempo que nós associamos à Grã-Bretanha e à Irlanda. Venham os encantadores dias ventosos com chuva e nevoeiro!

Esta viagem à Irlanda aconteceu no final de fevereiro, por alturas do Carnaval, durante 6 dias e 6 noites. Éramos duas pessoas, eu e a minha mulher, que dormimos, obviamente, em quartos duplos. Alugámos carro 4 dias através da Rentalcars.com, como fazemos sempre. Isto permitiu-nos ter toda a liberdade de que gostamos para descobrir os lugares mais escondidos da Irlanda e conduzir fora de horas, ao nosso próprio ritmo.

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O nevoeiro da Irlanda, quase sempre presente

Numa viagem destas, com muitos quilómetros em poucos dias, é claro que muitos pontos de interesse ficam por ver. Contudo, o objetivo é ficar com uma ideia geral do país como um todo e não apenas visitar a sua capital. Essa é outra forma de viajar de que também gostamos muito. Mas desta vez foi assim.

Roteiro Irlanda, Road trip República da Irlanda e Irlanda do Norte

Roteiro Irlanda, Dia 1 | Lisboa – Dublin – Killarney

Chegámos a Dublin às 12.30h de sexta-feira. Tínhamos decidido não dormir na cidade no fim de semana pois os hotéis eram bem mais caros nessa altura. Ficaríamos depois 2 noites antes do voo de regresso.

Apanhámos o transporte até ao terminal de empresas de aluguer de carros, tratámos das questões legais rapidamente e iniciámos a viagem. Não se esqueça que, na Irlanda (e no Reino Unido) a circulação é feita pela esquerda… e que o volante está à direita. Se nunca guiou “do lado errado da estrada”, tenha muito, mesmo muito cuidado.

Visto que metade do dia já tinha passado, queríamos apenas chegar até perto da costa oeste, a Killarney. Para isso, teríamos de conduzir cerca de 315 km. Primeiro pelas auto-estradas M7 e M8 e depois pelas nacionais N73 e N72.

Saímos da auto-estrada a meio do percurso para visitar o Rock of Cashel (Rochedo de Cashel). Este castelo irlandês teve um papel essencial durante séculos, até à Invasão Normanda. Atualmente, a maioria dos edifícios datam dos séculos XII/XIII e estão maioritariamente em ruínas. Naquele dia, havia algumas obras a decorrer, razão pela qual conseguimos entrar sem pagar, pelo portão de acesso dos trabalhadores, que se estavam já a retirar.

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Cruzes celtas no Rock of Cashel

Os edifícios do Rochedo de Cashel são bastante complexos, tendo em conta a altura em que foram construídos. O ambiente do topo do rochedo é mágico, com corvos e gralhas a voarem contra o céu coberto de nuvens. Numa zona perto da muralha está um pequeno cemitério com cruzes celtas maravilhosas. Um lugar cheio de caráter.

No interior dum dos edifícios é possível ver alguns utensílios de cozinha, um teto de madeira magnífico e algumas obras de arte. Depois de sairmos ainda demos um passeio de carro nos arredores para procurar o melhor ângulo para mais uma fotografia.

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Rock of Cashel ao longe

Chegámos a Killarney praticamente de noite e fomos diretamente para o Lios Na Manach Farmhouse B&B, que tínhamos reservado online. Fica numa pequena quinta nos arredores da cidade. A verdade é que há poucos hotéis fora das grandes cidades da Irlanda e a melhor hipótese é mesmo optar por um B&B (Bed and Breakfast – Cama e Pequeno-almoço), quartos em casas de famílias.

A proprietária foi extremamente simpática e ajudou-nos a planear os dias seguintes, pois é difícil ter noção exata do tempo que demora a cobrir as distâncias em alguns estradas se não as conhecermos. Sugeriu-nos ainda um lugar para jantar, o Muckross Park Hotel. Não costumamos propriamente comer em hotéis de 5 estrelas, mas o preço não foi nada de outro mundo, o ambiente era extremamente simpático e a comida tradicional incrível.

Roteiro Irlanda, Dia 2 | Killarney – Doolin / Lisdoonvarna

O dia começou com um incrível pequeno-almoço de pão e panquecas acabadas de fazer pela dona do B&B. O que queríamos fazer na manhã deste dia da viagem à Irlanda era percorrer parte do Ring of Kerry, um percurso turístico circular no condado irlandês de Kerry.

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Paisagem na Ring of Kerry, oeste da Irlanda

Começando em Killarney, o circuito completo é feito pela estradas N71, N70 e N72 num total de 179km. O que há para ver? Aquilo que nos levou à Irlanda: catedrais, igrejas, cemitérios, vilas e aldeias, fortes, castelos, praias, miradouros panorâmicos, circuitos para caminhadas e bicicletas,…

As estradas são estreitas. Se alugar um carro em época alta, o melhor é seguir o conselho dos locais e fazer o percurso no sentido dos ponteiros do relógio para evitar ter de circular a passo de caracol atrás dos autocarros, que costumam circular ao contrário.

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Estrada no Ring of Kerry, Irlanda

Ainda cedo, debaixo da típica chuva da Irlanda, partimos através do Killarney National Park, parando à beira da estrada para passear na floresta e encontrar cascatas ou tirar fotografias desde miradouros.

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Pequeno rio à beira da estrada no Ring of Kerry

Mais à frente, encontrámos imensas ovelhas de pelo comprido e minúsculas povoações, assim como outras um pouco maiores como Derrynane ou Portmagee.

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Porto de Portmagee

As casas são bastante coloridas, talvez para contrastarem bem num ambiente onde o sol teima em aparecer. Nos campos de erva dos montes até ao mar, os muros de pedra dividem a paisagem.

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Paisagem Irlandesa
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Campos da Irlanda

Deixámos o Ring of Kerry para sul e, para evitar um percurso de cerca de 140 km (2h) dando a volta ao mar por Limerick, decidimos apanhar o ferry em Tarbert, no estuário do Rio Shannon. Pagámos cerca de 16€ pela travessia (carro, incluindo passageiros), com 15% de desconto pela compra online. Os ferries da Irlanda, assim como outros no norte da Europa (Escócia e Noruega, por exemplo) permitem aproveitar melhor a viagem, poupando-nos muito tempo. Às vezes, até são caros mas, neste caso, se tivéssemos feito o caminho mais longo, teríamos gasto praticamente o mesmo em gasolina. E muito tempo!

Na parte final do dia tínhamos planeado visitar uma das maiores atrações da Irlanda, os Cliffs of Moher. Estes penhascos da região de County Clare, são impressionantes. A sua altura máxima é de 214 m perto da Torre O’Brien, precisamente no ponto onde está o Cliffs of Moher Visitor Experience, cuja entrada para adultos custa 6€. Este centro para visitantes foi construído numa encosta, por baixo do chão. Já estava fechado quando chegámos ao fim do dia, quando o último autocarro partia do parque de estacionamento praticamente vazio.

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Cliffs of Moher

Foi ótimo escapar às multidões. Não devia haver mais do que 20 pessoas à vista. O interessante mesmo nesta parte da viagem à Irlanda é passear perto do penhasco a lutar contra o vento e tirar fotografias da costa e do mar. Com bom tempo, até é possível ver as Ilhas Aran, na Baía de Galway.

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Torre O’Brien, Cliffs of Moher

Saímos dos Cliffs of Moher quando o sol já tinha desaparecido no mar. A menos de 10 km estava a pequena vila de Doolin, conhecida por ser a capital da música tradicional da Irlanda. Encontrámos o McDermott’s Pub, com comida irlandesa e cerveja como imaginamos num Irish Pub. A atmosfera estava ainda melhor, com imensas pessoas locais que, como nós, vibraram com a música interpretada por um grupo com violino, guitarra e gaita de foles. Até havia um outro violinista que pediu para acompanhar, improvisando enquanto bebia uns goles de cerveja. Vejam e ouçam o vídeo.

Vídeo Música tradicional irlandesa em Doolin

Parte do percurso deste dia foi feito muito perto do mar, numa amostra da Wild Atlantic Way, uma rota costeira no oeste da Irlanda que percorre o país ao longo de 2600 km. Mas dormiríamos um pouco para o interior, a menos de 10 km de Doolin, num B&B chamado Atlantic House, em Lisdoonvarna. Os donos, um casal de idosos, foram muito simpáticos e acolheram-nos na noite ventosa.

Roteiro Irlanda, Dia 3 | Doolin / Lisdoonvarna – Portrush

Começámos o 3º dia de viagem à Irlanda bastante cedo porque tínhamos cerca de 550 km para fazer até ao norte da ilha, entrando na Irlanda do Norte.

Choveu durante praticamente toda a manhã. Logo à partida, com a conversa e a chuva, conduzimos uns belos 300 m no lado direito da estrada. Ou seja, no lado ERRADO. É relativamente fácil habituarmo-nos a conduzir à esquerda mas é preciso estarmos concentrados. Se não estivermos, o nosso cérebro manda-nos automaticamente para a via que costumamos usar no nosso país. Mesmo com o volante do carro também num lado “estranho”. É preciso muito, muito cuidado. A primeira vez que experimentei esta situação nova foi em Malta e até fiz rotundas ao contrário!

Até meio da tarde, parámos poucas vezes por causa da chuva:

  • no Castelo de Dunguaire, para tirar fotografias;
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Castelo de Dunguaire
  • na igreja de Drumcliffe, em cujo cemitério encontrámos a campa onde estará enterrado o escritor irlandês Yeats;
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Suposta campa de na Igreja de Drumcliffe, oeste da Irlanda
  • em Donegal, para dar um pequeno passeio no centro enquanto o sol se mostrou.

Um pouco antes das 16.00h, entrámos na Irlanda do Norte nos arredores de Londonderry (ou, simplesmente, Derry) sem darmos conta da passagem da fronteira (República da Irlanda – Irlanda do Norte), pois não vimos nenhuma placa. O que reparámos imediatamente foi nos cartazes políticos que faziam referência ao Sinn Féin, em tempos, o braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Lembra-se da canção dos U2 Sunday Bloody Sunday? Pois foi em Derry que, em 1972, aconteceu aquele “Domingo Sangrento”. Soldados britânicos mataram 28 civis desarmados durante um protesto pacífico contra o Internment (prisão sem julgamento) de 342 pessoas suspeitas de envolvimento com o IRA, o que tinha lançado uma campanha a favor da união de toda a Irlanda contra o estado Britânico. Muitas das vítimas do massacre foram mortas enquanto fugiam e algumas quando ajudavam feridos. Isto levou a um recrutamento maciço de novos elementos para o IRA.

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Bloody Sunday Monument, Londonderry, Irlanda do Norte

A primeira investigação ilibou os soldados e as autoridades Britânicas de culpa. Mas uma segunda (Saville Inquiry), iniciada em 1998, viria a concluir, já em 2010, que as mortes foram injustificadas, levando ao pedido de desculpas formais do Primeiro Ministro David Cameron em nome do Reino Unido e ao início de uma investigação policial sobre os homicídios. Muito por acaso, encontrámos em Derry precisamente o local do massacre, onde hoje existe um memorial e uma série de pinturas nos edifícios alusivas à resistência.

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Free Derry Corner, Londonderry, Irlanda do Norte
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Free Derry Corner, Londonderry, Irlanda do Norte

Com o carro estacionado perto de Bishopsgate, cruzámo-lo e acompanhámos as muralhas para ver a Saint Columb’s Cathedral (catedral) e o Church Bastion (Bastião da Igreja), com os seus impressionantes canhões e vista sobre a cidade. Depois, atravessámos o centro histórico até encontrarmos o Guildhall.

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Sala principal de Guildhall, Londonderry

Este edifício construído em 1890 foi onde se realizou o Saville Inquiry. Hoje é onde ainda se reunem os políticos eleitos por Derry e pelo Distrito de Strabane. O mais impressionante no interior é a sala principal e o seu enorme órgão.

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Bishopsgate, Londonderry, Irlanda do Norte

Pelo centro de Derry, encontrámos a The Craft Village, uma zona de lojas de artesanato (fechadas porque já era tarde) em redor de pátios e ruas bem típicas das cidades da grande ilha. Tivemos ainda tempo para levantar dinheiro numa ATM, pois a Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, sendo a moeda utilizada a Libra Eterlina e não o Euro como na República da Irlanda.

Com a noite a chegar, partimos para a costa norte, onde jantámos numa pequena povoação chamada Portrush, vizinha de Portstewart, um popular destino turístico entre os irlandeses. Finalmente, dormimos no Brae-Mar B&B, que estava bastante sujo e com um cheiro horrível a tabaco. Segundo as avaliações online, tem novos donos, que o estão a renovar…

Roteiro Irlanda, Dia 4 | Portrush – Belfast

Por sorte, como de costume nas nossas viagens, depois de chover nos dias em conduzimos muitos quilómetros, aqueles em que caminhamos trazem o sol. Seguimos pela costa norte e parámos um pouco no Castelo de Dunluce, uma das maiores ruínas de castelo medieval da Irlanda do Norte.

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Castelo de Dunluce, Irlanda do Norte

A menos de 10 km estava a Giants’ Causeway, a Calçada dos Gigantes (Património Mundial UNESCO), um dos pontos altos de qualquer viagem à Irlanda. Eu tinha lido online que existe um centro de visitantes, no qual não estava interessado. Na minha opinião, normalmente, são lugares com a mesma informação que está disponível na internet e cujo principal propósito é fazer-nos gastar dinheiro (e tempo!). Este pertence ao National Trust for Places of Historic Interest or Natural Beauty (Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural). Como, aliás, muitos outros na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.

Há imensos sócios da instituição a expressar a sua opinião negativa online em relação ao que é feito na Calçada dos Gigantes. Basicamente, funcionários do National Trust ficam na rua a receber os carros dos turistas e a cobrar-lhes estacionamento e entrada no centro de visitantes. Como se não fosse possível ver a Calçada dos Gigantes sem pagar! Não se deixe enganar. Faça como nós e estacione no Causeway Hotel, mesmo ao lado. Ninguém lhe vai pedir dinheiro ou importunar. Se lhe apetecer, entre e tome uma bebida quente.

Já a pé, dê a volta ao hotel pela esquerda (virado para o mar) e siga pelo trilho da direita. Quando chegar ao túnel que vem do centro de visitantes, desça as escadas.

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Pequena baía na Calçada dos Gigantes

Se tem dificuldades em andar, também pode apanhar um autocarro (pago) até mais perto da Calçada dos Gigantes. Se não for o caso, siga sempre em frente pela estrada que contorna o alto monte.

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Caminhada até à Calçada dos Gigantes

Vale a pena fazer a caminhada de 10 minutos até à Calçada dos Gigantes, um conjunto de perto de 40 000 colunas prismáticas de basalto formadas há cerca de 60 milhões de anos por uma grande massa de lava.

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Calçada dos Gigantes

Estas colunas estão encaixadas de forma a parecerem uma enorme calçada (e escada) para gigantes.

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Calçada dos Gigantes e o Oceano Atlântico
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Calçada dos Gigantes

Demorámo-nos por ali, entretidos a subir e descer os “degraus” e a tirar fotografias.

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Calçada dos Gigantes, o ex-libris da Irlanda do Norte

Fizemos o regresso ao carro pela outra estrada, completando um percurso circular que, nesta direção, nos fez subir a íngreme montanha. A vista sobre o mar lá de cima é… soberba.

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A Calçada dos Gigantes desde o topo do monte

Tal como a paisagem de terra, com os campos verdes, as flores e as ovelhas a pastar. Um postal da Irlanda.

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Os campos da Irlanda do Norte desde o topo do monte na Calçada dos Gigantes

De volta à estrada perto da hora de almoço, a poucos quilómetros, perto de Ballintoy, passámos ao largo da Carrick-a-rede Rope Bridge, uma ponte de cordas suspensa com 20 metros de comprimento e a 30 metros sobre o mar. Esta vai até à pequena ilha de Carrick-a-Rede, onde há um pesqueiro de salmão. Não perca se tiver tempo, gostar de caminhadas e for corajoso.

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Estrada da Causeway Coastal Route, Irlanda do Norte

A tarde seria passada no caminho até Belfast pela Causeway Coastal Route. Este percurso tem 190 km, no total, desde Derry a Belfast. Para alguns, é uma das melhores estradas do mundo para fazer uma road trip. Três ou quatro dias seriam perfeitos para a percorrer devagar.

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Cavalo amigo na Causeway Coastal Route

Mas nós só tínhamos meio dia. Sem pressas, o caminho levou-nos por campos rurais ondulados e uma estrada mesmo ao lado do Oceano Atlântico em algumas zonas. O próximo vídeo, do Turismo da Irlanda do Norte, mostra-lhe um pouco desta estrada icónica na Irlanda.

Vídeo Causeway Coastal Route, Irlanda

Chegámos a Belfast cerca das 15.30h depois de fazermos a distância de apenas 130 km neste dia e aproveitámos para passar de carro no Titanic Belfast. O museu, que é um testemunho da herança marítima de Belfast, conta a história do grande navio que se afundou devido a um icebergue, em 1912, na sua viagem inaugural. Está localizado na área onde o barco foi precisamente construído.

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Titanic Belfast

Tínhamos escolhido um hotel mesmo no centro porque íamos ficar pouco tempo em Belfast. Ficámos no ETAP Hotel Belfast, em Dublin Road, que tinha desconto num estacionamento bem perto. Os hotéis ETAP são opções mais económicas do grupo Accor, o mesmo que possui os Ibis.

Não tínhamos nenhum objetivo concreto para visitar Belfast. Preferimos andar um bocado à deriva no centro e sentir a energia das ruas.

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Ruas de Belfast
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Rua pedonal no centro de Belfast

O único edifício onde entrámos foi na Catedral de Belfast, numa altura em que a luz do pôr do sol iluminava o interior de forma poderosa.

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Interior da Catedral de Belfast

Já de noite, passeámos um pouco nas ruas antes de voltar ao hotel.

Roteiro Irlanda, Dia 5 | Belfast – Dublin

O quinto dia para visitar a Irlanda teria a manhã ocupada a fazer a viagem Belfast-Dublin, passando outra vez da Irlanda do Norte para a República da Irlanda. Seriam cerca de 170 km feitos praticamente sempre por auto-estrada, com uma paragem prevista em Brú na Bóinne, ou Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne. Trata-se de um importante complexo de pedras do Neolítico, incluindo túmulos e outros monumentos pré-históricos, considerado património mundial UNESCO.

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Brú na Bóinne (UNESCO)

Quando chegámos, vimos que seria impossível visitar porque o estacionamento ainda era bastante longe do local e o tempo que gastaríamos não nos permitiria entregar o carro alugado no Aeroporto de Dublin a tempo (13.00h). Por isso, desistimos com bastante pena.

Com o carro devolvido a tempo no aeroporto, chegámos ao centro da capital da República da Irlanda por volta das 14.00h. Fizemos check-in no Mercantile Hotel, incrivelmente bem situado na Dame Street, a poucos minutos da maioria das atrações, incluindo o Castelo de Dublin, a Trinity College, lojas e a zona de bares. Aliás, o próprio hotel também tem um restaurante e bar fantástico que os locais frequentam.

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Castelo de Dublin

Imediatamente a seguir ao Mercantile Hotel pudemos visitar o pátio exterior do Castelo de Dublin, maioritariamente construído no século XVIII para acomodar a administração da Irlanda por parte do Reino Unido. Depois de 1922, passou a ser um complexo destinado ao governo da própria Irlanda independente.

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Pub irlandês na Dame Street, Dublin

Depois de almoçarmos, decidimos ir a pé até Kilmainham Gaol, uma prisão que é agora um museu. A distância a percorrer seria apenas de cerca de 4 km. Até à prisão, o caminho é sempre em frente. Vimos a Christ Church Cathedral por fora, entrámos na igreja St. Augustine and St. John the Baptist

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Catedral de Dublin
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Interior da Igreja St. Augustine and St. John the Baptist, Dublin

Passámos, também pela Guinness Storehouse. Esta última é a atração turística mais popular da Irlanda, especial para quem adora cerveja e quer conhecer a tradição da Irlanda do seu fabrico.

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Fábrica da Guinness em Dublin

Não parámos. E começou a chover muito. E muito mais. Tanto, que decidimos apanhar um autocarro para fazer apenas duas paragens. Tanto, que ficámos tão molhados que o motorista nem sequer nos cobrou. Obrigado, Irlanda!

Finalmente chegámos à Kilmainham Gaol. Provavelmente já a viram por dentro na TV ou cinema. Esta foi a prisão usada como cenário para “Em nome do pai”, um filme baseado na história verídica dos Guildford Four, quatro pessoas condenadas injustamente por um atentado à bomba em Belfast em 1974. Recebeu 7 nomeações para os Óscares e mostra o ambiente que se vivia na Irlanda do Norte da altura.

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Escadaria na Kilmainham Gaol

Em funcionamento como prisão desde 1796, hoje em dia é um museu. Mostra as condições de vida no seu interior ao longo dos séculos. Conta também um pouco da história da Irlanda, pois foi aqui que muitos revolucionários irlandeses foram presos e executados pelos britânicos, incluindo os líderes do Easter Rising, em 1916. Este episódio foi a revolta mais significativa contra os britânicos desde a de 1798 e a primeira ação armada do período revolucionário irlandês.

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Interior da Kilmainham Gaol

A Kilmainham Gaol mostra ainda o sofrimento do povo da Irlanda durante a Great Famine, a Grande fome de 1845–1849, altura em que dois quintos da população dependia da produção de batatas para comer. A doença que as afetou levou a que cerca de um milhão de irlandeses morressem ou emigrassem massivamente, diminuindo a população da ilha entre 20% e 25%. Durante esses anos de fome, muitas pessoas cometiam crimes com o único propósito de serem presos. Na prisão, ao menos, havia alguma comida.

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Pátio interior da Kilmainham Gaol

Outra realidade que a Kilmainham Gaol exibe em relação à Irlanda durante muitos anos era a diferenciação feita entre classes. Não posso deixar de destacar ainda a arquitetura da prisão, especialmente o pátio em frente às celas, com bonitas escadas metálicas e uma harmonia de design.

Depois de deixarmos o edifício, voltámos ao centro de Dublin, desta vez utilizando o autocarro para o percurso completo. Explorando a zona histórica de Dublin na margem sul do Rio Liffey, encontrámos a beleza da cidade nas ruas. Entrámos no The Powerscourt Centre, uma espécie de pequeno centro comercial (caro), para ver como é um excelente exemplo de arquitetura Georgiana. O edifício é extremamente interessante, mostrando a transição desde o estilo rococó até ao neoclássico.

Com a noite já bem escura e com a chuva sem dar tréguas, jantámos num pub em frente ao Mercantile Hotel.

Roteiro Irlanda, Dia 6 | Dublin

O dia começou gélido mas ensolarado. Tempo para atravessar uma das pontes pedestres do rio Liffey e explorar a margem norte, composta por lojas de todos os tipos e um ou outro mercado. Na O’Connell Street, encontrámos o Spire of Dublin, ou Monument of Light, um monumento de aço inoxidável com 120 m. Algo controverso, veio substituir o Nelson’s Pillar, que homenageava Lord Nelson e foi destruído pelo IRA em 1966.

Pouco depois do meio-dia, voltámos a atravessar o rio para visitar a Trinity College, a mais antiga universidade da Irlanda. Foi fundada em 1592 pela rainha Elizabeth I, seguindo o modelo de Oxford e Cambridge (ainda que, ao contrário destas, apenas uma faculdade tenha sido estabelecida).

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Biblioteca da Trinity College

As maiores atrações da Trinity College são a Old Library (mais de 200.000 volumes), decorada com bustos de autores e exibindo a harpa mais antiga da Irlanda, e o Book of Kells. Este é um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais feito por monges celtas em cerca de 800 d.C. Segundo muitos especialistas, é um dos mais importantes vestígios de arte religiosa medieval, contendo os quatro Evangelhos do Novo Testamento escritos em latim.

Aproveite bem as atrações em Dublin: experiências, tours, transfers, cartões oficiais de descontos!

As ilustrações e iluminuras coloridas são, simplesmente, incríveis. O nível de detalhe utilizado é fabuloso. A exposição permanente que o acompanha explica tudo sobre a sua execução no Mosteiro Columban, Irlanda: o processo para fabricar o pergaminho, a forma de desenhar as letras, a composição das tintas utilizadas, a forma de encadernação utilizada,…

Uma nova caminhada de meia-hora pelas ruas de Dublin levou-nos até à St. Patrick’s Cathedral (Catedral de São Patrício).

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St. Patrick’s Cathedral

Esta catedral fundada em 1191 é a mais alta e maior igreja da Irlanda. Achámos o interior bastante tranquilo e harmonioso. Curioso é que Dublin tenha duas catedrais.

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Interior da St. Patrick’s Cathedral, a segunda catedral de Dublin

Logo a seguir, de volta ao coração da capital da República da irlanda, praticamente o oposto a uma igreja, O pub. O mais famoso de Dublin, Temple Bar, na rua com o mesmo nome. À porta, um painel não nos deixava dúvidas: Jardim da Cerveja, Ostras, Irish Coffee, Música ao Vivo Diariamente. O ambiente das várias salas é incrível e convida a ficar mais tempo a ouvir a música, tipicamente irlandesa ou sucessos mundiais.

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Temple Bar, Dublin

Depois de mais um pequeno passeio nas ruas estreitas em redor do Temple Bar, quando a noite chegou, foi tempo de jantar, mais uma vez, num pub. O regresso ao hotel aconteceu cedo pois o regresso a casa seria de madrugada.

Roteiro Irlanda, Dia 7 | Dublin – Lisboa

Quando entregámos o carro no dia 5 no aeroporto, comprámos transfer ida e volta até ao centro de Dublin. Escolhemos a companhia Airchoach porque era a única que começava a operar às 4.30h, já que o voo de regresso era às 6.15h. Se não precisar de transfers tão cedo, pode usar também a Airlink Express. Os preços de ambos rodam os 12€, ida e volta. Apanhámos o autocarro no meio da O’Connell Bridge, a apenas 10 minutos a pé do nosso hotel.

Roteiro de viagem à Irlanda, o que visitar na Irlanda

Neste mapa da Irlanda vai encontrar o percurso realizado de carro (azul), os principais lugares visitados (laranja), os hotéis reservados (verde). Foram percorridos praticamente 1500 quilómetros nesta viagem.

Últimas notas sobre a viagem à Irlanda

Ambos Património Mundial na Irlanda pela UNESCO, para além do já referido Archaeological Ensemble of the Bend of the Boyne, ficou também por ver a remota ilha Skellig Michael. Este fica a 12 km da costa sudoeste e inclui um complexo monástico na rocha desde o século VII. Gostaria igualmente de ter visitado alguns lugares usados na filmagem da Guerra dos Tronos.

Agora só lhe falta fazer a sua própria viagem. Divirta-se a descobrir a Irlanda à sua maneira!

Ainda em casa, reservei hotéis em Killarney (1ª noite), Belfast e Dublin porque queria flexibilidade. Se for no verão, sugiro que reserve todos antes de partir. Poupa dinheiro e não arrisca que estejam lotados.

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