Guia Veneza, Itália roteiro – Viagem, turismo, fotos

Foi este o dia para visitar Veneza depois de termos acordado num motel à beira da auto-estrada, em Mestre, Veneza, Itália. Tínhamos conduzido mais de 700 quilómetros no dia anterior, desde a riviera da Croácia, por estradas secundárias.

De carro até Veneza – Estacionamento Veneza, Itália

Depois de termos tomado o pequeno almoço, que estava incluído no preço do quarto (encontre alojamento em Veneza: hotel Veneza), pedimos indicações ao recepcionista, que foi muito simpático. Disse-nos para seguirmos em frente (na Via Giovanni da Verrazzano e, mais à frente, Via Amerigo Vespucci) e virarmos à direita no cruzamento.

Metemo-nos no carro para conduzir até Veneza e andámos uns 4 quilómetros quando dois italianos, vestidos com um uniforme qualquer, no meio da estrada, nos mandaram seguir em frente com uma desculpa qualquer de que não me lembro. Achámos que algo de estranho se estava a passar mas seguimos na direção indicada.

Uns metros depois, encontrámos um parque de estacionamento pago, em terra batida, e aquilo que parecia uma doca com ferries. Estacionámos o carro e dirigimo-nos à bilheteira. Mas, quando chegámos perto da água, vimos que havia uma ponte transitável! E pediram-nos 10 EUROS a cada um para nos levarem a Veneza! Fiquei possesso porque tínhamos sido enganados. As duas pessoas que nos desviaram a nós e a outros turistas trabalhavam para a empresa dos barcos que faz a travessia.

Quando voltámos costas para ir embora o italiano ainda nos gritou “20 EUROS, os quatro”, o que me irritou ainda mais. Em Itália a noção de preço tabelado é muito vaga… De volta ao parque de estacionamento, pagámos os 5 EUROS por termos estacionado durante 10 minutos(!) e dirigimo-nos para a Ponte della Libertà.

Depois de a atravessarmos até Veneza, na Piazzale Roma, entrámos num outro parque de estacionamento, a Garage San Marco (900 lugares), onde pudemos deixar o carro. Outra esquisitice italiana: paga-se um pouco mais de 20 EUROS e tem que se deixar a chave na ignição! Não achei piada nenhuma e não me convenceram com a desculpa de “se houver um incêndio um funcionário tira o carro”. É fazer a conta. 900 carros para 45 funcionários. Muito antes de cada um conseguir tirar os vinte carros que lhe competiam, já a garagem inteira se teria transformado em pó. Mas enfim, não tivemos outro remédio senão deixar lá as chaves depois de termos espreitado para dentro dos outros carros e termos confirmado que também as deles lá estavam. Com um bocado de sorte não roubavam o meu.

Existe outro parque de estacionamento, na Ilha de Tronchetto, logo à direita à saída da ponte. O preço para veículos ligeiros é, mais ou menos, o mesmo mas tem a vantagem de poder ser usado por autocaravanas e outros veículos maiores (obviamente paga-se mais caro para estes dois tipos de veículos mas têm a hipótese de usar a eletricidade, abastecer de água e também despejá-la).

Há, também, acesso a uma agência de viagens, marcações de hotéis, casa de câmbios, casas de banho. Não é necessário deixar as chaves na ignição e usa-se o vaporetto ou autocarro marítimo para chegar ao centro de Veneza. Para mais facilmente o apanhar, tente parar o carro na ponta mais distante da ilha. Deve ignorar as ofertas, à entrada, para os caros táxis marítimos não oficiais.

Viagem Veneza, Itália – Turismo Veneza – Ruas em Veneza

Mas nós estávamos na Piazzale Roma e começámos o caminho pelas estreitas ruas de Veneza, em direção ao centro e dos monumentos mais importantes.

Passear em Veneza é muito agradável e diferente. Ao longo do percurso não se encontra muita gente pois há pessoas que preferem não andar e usam os táxis, os vaporetti (“barcos-autocarros”) ou as gôndolas para conhecer os canais de Veneza e ver a cidade de mais longe.

Eu acho que os lugares se conhecem a pé, espreitando todos os cantinhos, e que Veneza é muito mais do que os seus canais. Almoçámos umas fatias de pizza (como não poderia deixar de ser), sentados nuns degraus dum canal a ver os turistas, os habitantes de Veneza e os barcos a passar.

No nosso passeio pudemos ver que Veneza está muito degradada. Há imensos edifícios em muito mau estado.

Esta situação de degradação das casas de Veneza deve-se ao facto da cidade ser bastante antiga e os custos de restauro serem extremamente elevados. Porque o grande problema, em grande parte das ocasiões, são os pilares que aguentam as casas no fundo das águas das 118 pequenas “ilhas” ligadas por mais de 400 pontes. A reparação é um trabalho difícil e altamente especializado que as poucas empresas capazes de levar a cabo fazem pagar bem.

Veneza foi fundada no século V e tornou-se uma enorme potência marítima no século X. Toda a cidade é uma extraordinária obra de arte arquitetónica em que até o mais pequeno edifício possui trabalhos de artistas de renome mundial tais como Giorgione, Titian, Tintoretto, Veronese e outros. Há mais um nome que nos faz sempre lembrar, o de Marco Polo, famoso por volta de 1290 pelo comércio de pedras preciosas. Aliás, a história de Veneza está sempre associada ao comércio e à riqueza.

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Monumentos Veneza, Itália – O que visitar em Veneza

Depois do almoço reiniciámos o passeio por toda a cidade, pelas ruas que ladeiam alguns dos seus 150 canais. Veneza pode ser dividida em San Marco, Dorsoduro, San Paolo e Santa Croce, Canareggio e Castello. Tem dezenas de igrejas, palácios renascentistas e museus.

Principais monumentos de Veneza

  • Praça de São Marcos (Piazza San Marco)
  • Basílica de São Marcos
  • Palácio ducal (ou dos Doges)
  • Torre dell’Orologio
  • Ponte dos suspiros
  • Campanile
  • Colunas de São Teodoro e do Leão de São Marcos

Outros locais a visitar em Veneza

  • Basílica de Santa Maria della Salute (frente à praça de São Marcos, do outro lado do Grande Canal)
  • Igreja dos Santi Giovanni e Paolo (segunda maior igreja da cidade de Veneza)
  • Igreja de San Moise
  • Igreja Il Redentore
  • Basílica Santa Maria dei Frari
  • Ponte de Rialto (com as suas lojas)
  • campi (pracetas) de Santa Maria Formosa, San Polo, San Bartolomeo,…

Museus em Veneza

  • Gallerie dell’Accademia
  • Scuola Grande di S. Rocco
  • Collezione Guggenheim
  • Scuola S. Giorgio degli Schiavoni
  • Palazzo Grassi (pintura e arte contemporânea)
  • Museo Storico Navale (em Arsenale)
  • Museo Vetrario (em Murano)

Percurso a pé em Veneza, Itália

Para conhecer Veneza o melhor mesmo é caminhar. As principais direções estão indicadas mas é boa ideia arranjar um mapa de Veneza de modo a saber onde estão as pontes de ligação entre os canais. Foi o que nós fizemos mas, mesmo assim, demos por nós, várias vezes, em becos sem saída. A não ser que nadássemos…

Circulámos um pouco ao acaso para descobrir todas as ruas, fazendo um zigue-zague até à Praça de São Marcos. Pelo caminho ,percorremos algumas ruas de comércio. As mais famosas ruas para fazer compras em Veneza são dei Fabbri, da Merceria, de Verona, da Frezzeria, delle Ostreghe e a Calle Larga XXII Marzo (esta última com lojas de luxo).

Veneza é, realmente, diferente e não é à toa que a Unesco a considerou Património Mundial em 1987.

Nós não fizemos nenhum passeio de gôndola, um dos ex-libris de Veneza, e continuámos a conhecer a cidade a pé. À medida que nos aproximávamos do centro, os canais iam ficando mais largos.

Chegámos, finalmente, à Praça de São Marcos,  local onde o turismo de massas acontece. É nesta praça que estão quase todos os turistas… e todos os pombos.

A Basílica de São Marcos tinha, como é hábito, uma longa fila para entrar. E nem se via avançar alguém…

Decidimos não entrar e dar por ali um passeio enquanto, acrobaticamente, nos desviávamos dos pombos. A praça tem imensos cafés com esplanadas onde alguns músicos tocam música clássica. O preço dos artigos não é barato e a música é paga numa taxa à parte.

Havia, de facto, imensos turistas na Praça de São Marcos. Mas é difícil escolher quando visitar Veneza. De qualquer forma, para a sua primeira visita, tente evitar os períodos festivos (Natal, Páscoa e Carnaval) e os meses de Verão de Julho e Agosto. Será, também, complicado escolher a altura do Festival de Cinema de Veneza, o mais antigo festival de cinema do mundo, fundado em 1932.

Na Primavera e no início de Outono será mais agradável (e talvez, também, mais barato) conhecer e viver Veneza (voo Venezahotel Veneza).

Carnaval Veneza, Itália

Mas o turismo em Veneza atinge mesmo o apogeu no Carnaval, o mais famoso da Europa. Existem várias teorias sobre a origem da palavra Carnaval:

  • do prefixo grego carn, “carnívoro”;
  • da expressão italiana carne levare, “retirar a carne”, já que esta é proibida durante a Quaresma;
  • do latim carne vale, “adeus à carne”, correspondendo esta altura do ano aos últimos dias em que se podia comer carne antes da Quaresma;
  • ou ainda a mesma expressão latina carne vale a poder fazer referência a um abandono da carne, do ego, do eu de todos os dias, para entrar no espírito libertador das festividades.

O certo é que, durante o Carnaval de Veneza, todos os mascarados tentam adquirir uma outra identidade para fugir àquela do dia-a-dia. Esta foi, aliás, uma das motivações para os bailes que se realizavam em Veneza desde um passado mais ou menos remoto. Com a identidade segura, os foliões podiam-se dedicar a práticas promíscuas sem ser reconhecidos por detrás da máscara.

Hoje em dia as intenções serão outras, mas o desejo de usar belas máscaras de Veneza estará na cabeça de todos. As máscaras de Veneza são caras mas podem-se alugar fatos completos ou comprar uma máscara mais modesta para o rosto ou, mesmo, um original chapéu. Existem imensas lojas espalhadas por toda a cidade em que os artesãos fazem máscaras para todas as bolsas, desde as mais simples (em cartapesta, uma mistura de gesso e pasta de papel), às mais elaboradas (com banhos de metal e decoradas com prata e ouro).

Existem três tipos principais de máscaras de Veneza: a tradicional bauta, a moretta e a larva. Agora há, igualmente, umas mais high-tech, de que gostei bastante, à venda nas lojas. Durante o Carnaval, é em dois dos cafés da Praça de São Marcos (o Florian e o Quadri), que se sentam aqueles que possuem as máscaras mais ricas, as imitam o vestuário de nobres do século XVIII.

Com tanta gente nas ruas durante o Carnaval de Veneza,  a circulação chega a ser verdadeiramente complicada, o que leva a polícia a interditar o trânsito pedreste na zona entre a ponte de Rialto e a Praça de São Marcos. Para quem se fartar desta confusão e quiser escapar, existe sempre a possibilidade de ir a bairros mais calmos ou de visitar as outras ilhas de Veneza. Burano é famosa pelas suas rendas e pelas casas coloridas; Murano pela sua tradição vidreira; Lido pela sua simpática costa; e San Giorgio Maggiore pelos seus jardins e por um campanile de onde se pode ter uma perspectiva panorâmica da cidade.

No dia da nossa visita não era Carnaval mas, como já referi anteriormente, estava muita gente na Praça de São Marcos. E é pena, pois é muito bonita.

Nas duas colunas junto ao Grande Canal, numa área chamada Molo, junto ao Palácio Doge, podemos ver um leão com asas e um dragão com um soldado. O leão é o símbolo do patrono da cidade, São Marcos. O soldado representa São Teodoro, um general grego que foi patrono de Veneza até à chegada do corpo roubado do mais poderoso São Marcos. O dragão aos pés de São Teodoro foi, mais tarde, acrescentado com intenções ainda hoje desconhecidas.

As três estátuas da Praça de São Marcos foram testemunhas de centenas de execuções (levadas a cabo pelo estado) de criminosos, traidores e até homossexuais que eram enforcados, decapitados ou queimados vivos entre as duas colunas. Por esta razão, ainda hoje, os venezianos supersticiosos evitam passar entre elas por considerarem que lhes traz azar. Por outro lado, as colunas eram, também, a porta de entrada cerimonial para Veneza, dando as boas-vindas a reis e príncipes.

A estátua de São Teodoro é uma colagem. A cabeça provém de um retrato do rei Mithridates, de Pontus, Anatólia (Turquia); o corpo pertence a um soldado romano e data dos tempos do imperador Adriano. O dragão é do século XV. No topo da coluna podemos apenas ver uma reprodução da estátua original (que está guardada no Palácio Doge).

A origem do leão (outrora revestido a ouro) não é muito clara. Etrusca, persa ou chinesa, ninguém sabe ao certo. Foi levado para Paris pelo exército de Napoleão em 1797, na queda da República de Veneza, e devolvido em pedaços em 1815. As colunas de granito foram trazidas da Síria em 1172. Os habitantes de Veneza não sabiam como erguê-las até que o engenheiro Nicolò Quarattieri empreendeu a obra, em 1180, a troco de uma licença para montar um negócio de jogo entre as duas colunas.

Outra construção imponente na Praça de São Marcos é o campanário (Campanile). A torre tem 98,6m de altura e possui formas simples com um corpo principal de tijolos. O campanário com arcos tem cinco sinos. No topo existe um cubo em cujas faces se vêem leões (símbolo do Evangelista São Marcos) e a representação feminina de Veneza (la Giustizia, a Justiça). Mesmo por cima encontra-se uma agulha piramidal com um catavento dourado com a figura do Arcanjo Gabriel no cimo. O campanário data do século IX mas tomou a forma que hoje conhecemos apenas em 1514. Em 1902 ficou destruído, pelo que teve que ser reconstruído.

Continuando a nossa viagem, após o passeio a pé em Veneza, regressámos à Piazzale Roma para recolher o carro e prosseguirmos viagem, desta vez em direcção a Finale Ligure, uma povoação junto ao mar Mediterrâneo, já perto da fronteira com a França, a quase 500 km de Veneza.

O senhor da recepção do motel em Mestre, Veneza (hotel Veneza), onde tínhamos dormido na noite anterior, tinha-nos marcado um hotel em Finale Ligure, a nosso pedido. Seria a nossa última noite de sono antes de iniciarmos a travessia do sul da França e de toda a Espanha. Por este motivo não quisemos arriscar deixar de dormir confortavelmente ainda em Itália pois tínhamos intenções de conhecer o Mónaco (a 120 km de Finale Ligure) no dia seguinte.

Percorremos o norte da Itália em cerca de cinco horas e meia. Viajámos sempre por auto-estrada (cerca de 50 EUROS em portagens). Primeiro pela A4/E70, passando ao largo de Pádova, Verona e Brescia. Depois, junto a esta última cidade e sem sair da auto-estrada, mudámos para a A21/E70. Passámos perto de Piacenza, Alessandria e Génova e tomámos a saída para Finale Ligure (hotel Finale Ligure).

Encontrámos o Hotel Rio, onde pagámos perto de 85 EUROS por cada quarto duplo. Não foi muito barato mas não havia nada a fazer. Afinal estávamos na época alta numa zona balnear junto ao Mediterrâneo.

Ainda era cedo, talvez umas 6.30 da tarde e decidimos ir dar um passeio e, talvez, um mergulho. A cidade é muito simpática, com uma avenida marginal ao longo do mar. Nesta altura, os italianos conseguiram-nos surpreender, pela negativa, mais uma vez. A praia estava fechada! Toda a extensão de areia era concessionada e os “donos” da praia vedada tinham encerrado a actividade às 6! Mas quem é que se lembra disto? Continuámos o passeio a pé e voltámos ao hotel para trocar de roupa. Jantámos numa pizzaria na avenida principal, onde tivemos que deixar 2 EUROS cada um de servizio, ou seja, “gorjeta obrigatória”. Estes italianos só têm ideias geniais…

Fomo-nos deitar cedo porque no outro dia teríamos a nossa “etapa-maratona” a partir de Finale Ligure e Mónaco-Portugal.

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